Ventos de Outono

Ventos de outono sempre vem do leste, trazendo frio, aqui chamam de vento do Espírito Santo.
 Já há o prenuncio do que vem, poucas pessoas na rua. 
No frio todos aproveitam para ficar em casa, no verão é impossível tal coisa, calor de 30º pela manhã.
Ando pelas ruas vazias. Alguns poucos, varrem suas calçadas, começam a cair as folhas das árvores e cães procuram nas ruas pelo sol, um homem trás sua cadeira da varanda para o meio da rua "esquentar sol": diz ele com o típico sotaque do interior.
O "bom dia" parece ser mais acolhedor, as pessoas te olham ao passar para fazer o tempo passar.
As crianças saem de casa ainda esfregando os olhos, ninguém merece sair da cama cedo, no frio.
Já há prenúncio de temporada sem a barulheira das aves na minha janela, no meu telhado, as araras já foram para o norte. 
E poucos vem para as férias.
Rio com frio não combina, mesmo que ele seja lindo e esteja cheio de peixes, que não mordem a isca nem dão as caras por pouco. E assim a cidade cai no prenúncio do inverno.
Longo período sem sorrisos, sem algazarra no bar da esquina, sem festas nas ruas.
Assim será um período de espera, espera pelo verão.
Algumas mangueiras já estão floridas, "fora do tempo!!" dizem alguns.
Vamos ter temporada de frutas mais cedo, "o tempo tá maluco": disse alguém
Começo a ver o verde do meu jardim amarelar-se, meus lírios começam a crescer depois da ultima poda. 
Assim são os ventos de outono no prenúncio do inverno.
Quanto a mim vou entrar que começou a esfriar.

2 comentários

J.S.Duran em 15 de julho de 2012 às 01:33

Um texto maravilhoso, me fez viajar no tempo. Já fui criança e conheço bem esse "começar o inverno" Parabéns Rui!

Unknown em 15 de julho de 2012 às 15:03

nossa adorei esse Rui... bem sincero, bem a realidade.... amei!!!

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