Sempre gosto de conversar com as pessoas que encontro no meu dia a dia. E no trabalho que faço isto é quase que automático, quando as pessoas estão dispostas para conversar, o que é raro hoje em dia.As pessoas andam desconfiadas, arredias, e buscam qualquer desculpa para fugir a um dedo de prosa.
Mas tem aquelas pessoas que ficam na nossa mente, por serem pessoas, que mesmo diferindo de voce, não trocam um bom dedo de prosa por nada.
Outro dia encontrei uma dessas pessoas, e começamos a conversar sobre as frivolidades da vida, afinal é sobre isso que as pessoas querem conversar, mas para chegar onde quero, tenho de ceder aos seus desejos e assim me deixo ir. E passamos a conversar sobre aqueles que já se foram.
Um autor brasileiro disse: "Como é dificil viver carregando um cemitério na cabeça". Parece uma figura de retórica horrível, 'viver carregando um cemitério na cabeça', não seria algo nada agradável. Mas, tente se lembrar de quantas pessoa voce conheceu pessoalmente que já morreram.
Um outro autor Oswlado Montenegro falou de outro tipo de morte em 'quantos amigos voce nem se lembra mais'.
Outro dia fiz um texto sobre um homem no seu banco, "O banco", que demonstra o quanto isso pode nos marcar.
Bom, voltando ao papo com a senhora, vi no seu rosto um que de saudade, quando citei uma pessoa que conhecemos, uma senhora de semblante tranquilo, voz mansa e olhar carinhoso.
Como era bom conversar com ela, estivesse fazendo o que fosse e deixava ela, vinha com sorriso no rosto, enxugando as mãos e dizia com sua voz calma, "já desliguei a panela, que mensagem me trás hoje?".
Aquilo para mim era como um copo de água gelada no calor escaldante, sabia que teria um ouvido atento e um sorriso hospitaleiro. E muitas vezes conversamos sobre assuntos que era-nos comum, a Santa Escritura.
Contrariando sua fé mostravasse atenta a cada texto lido, a cada ensino dado, a contragosto dos vizinhos que a espreitavam pelas janelas, com certeza, e mesmo ao marido truculento.
Quão doce essa recordação nos era, lembramos do seus vivos olhos azuis, que parecim sorrir a cada entedimento novo. Então, tentamos juntos imaginar, ver de novo, aqueles doces olhos azuis, ouvir aquela doce e calma voz, e aquele sorriso hospitaleiro: seus olhos encheram de leves lacrimejar, que quase me fizeram também chorar: (Acho que estou ficando velho e sentimental)
Então tentamos imaginar como seria ver de novo, Dona Maria, senhorinha de oitenta e tantos anos que sempre sorria por qualquer motivo; ou então uma outra, que teve morte súbita na frente das filhas, senhora boa de conversa.
Chegamos a seguinte conclusão: que não é justo, que pessoas tão boas se vão sem que possamos nos ver novamente, ouvir suas vozes, ver seus sorrisos, simplesmente deve ter algo mais que isso.
E quão maravilhoso é quando percebemos que Deus na sua sabedoria nos da essa oportunidade, por meio da ressurreição, poderemos rever essas pessoas novamente, então esse cemitério que carregamos na cabeça será esvaziado.
Tenho na minha memória várias dessas pessoas.
E voce, vive carregando um cemitério na cabeça??







1 comentário
Eu sou do tipo "estranho" que vê uma certa beleza na morte, mas isso é outro assunto...
Me vi nas tuas linhas, não tenho nenhum caixão na mente ainda, os meus continuam respirando... mas compreendo o que foi escrito aqui!
As vezes penso que depois que o corpo morre, a próxima morte é a do esquecimento, aos poucos uma pessoa desaparece na memória de alguns outros... pouco a pouco tudo se esvai!
É de fato uma dadiva podermos fazer uso de nossa memória... ser capaz de lembrar de quem já foi é maravilhoso, acreditar que um dia tornaremos a vê-los... uma sublime esperança!
Parabéns meu caro... sensacional como sempre!