Não escrevo mais!!


Sempre esteve em mim  a veia do escrever. Quando adolescente pequenos poemas de amor infanto juvenil povoavam minha mente de precoce pensador das dores humanas.
Depois passei a pensar nas injustiças da vida assim passei a escrever sobre injustiças, dores, fomes, guerras.
Até que meu espirito encontrou paz. E calei o escrever por muito tempo até que foi reacendido por pensadores que reestimularam meu pensar. 
Mas me encontro agora em novo dilema como continuar a escrever depois de sofrer uma dor por algo escrito. Geralmente usamos o escrito para fazermos expurgo dos nossos pensamentos, assim purificamos nosso pensar, e vemos as coisas de maneira mais clara e limpa, ou então para encorajar animar e fortalecer outros.
Alguns escritores diriam: bom para o escritor não pode haver barreiras, pois sua barreira é sua imaginação.
Contudo quando isso ofende outros isso nos leva a pensar se devemos mesmo continuar no caminho que estamos trilhando. Nossa mente louca e alucinada por escrever, muitas vezes trilham caminhos que nem sempre são saudáveis aos olhos de quem lê. E causar dor e sofrimento nunca é a intenção desse escritor, mas dar palavras de alento e força. Assim me encontro no dilema se estou realmente no caminho certo sobre o que escrevo e como escrevo. 
Cada pessoa pode interpretar um texto de várias formas e todas elas podem estar corretas e erradas ao olhos de quem lê. A questão é, qual é o limite que devemos obedecer ao escrever? Sinto que não posso continuar a escrever o que penso e sinto, por ofender a outros por pegar dos seus retalhos para minha colcha de pensar. Não necessáriamente passa na nossa mente viajante, que aquilo que escrevemos pode realmente estar acontecendo na vida de alguém com todos os floreios que imaginamos.
Assim a pergunta que me faço é será que quando pegamos retalhos para completar nossas colchas estamos roubando suas vidas? Se assim for melhor não escrever. Mas, como escrever sem pegar esses retalhos do cotidiano, que nos estimula o pensar?
Assim a pergunta que me levou a esse texto persiste. Devo continuar a escrever? No intimo não escrever nunca mais é o primeiro impulso, mas como calar o que te enche a alma e pode encher outras almas que estão ávidas por este pensar?
Assim me dispesso desses pixels de pensar por um tempo, para reflexão. Tenho obras inacabadas que findarei por não ter relação com o pensar mas, mais com estudo e lógica.
Assim retiro o óculos, derrubo o tinteiro e rasgo o papel, só volto a escrever quando tiver esta resposta. Quanto tempo durará? Não sei. Volto a leitura talvez encontre nela minhas respostas.

3 comentários

Unknown em 14 de setembro de 2012 às 22:48

:( estou triste muito triste.... :(
Nada a declarar pedois disso...

Junior Junior em 15 de setembro de 2012 às 01:28

Se me permites, gostaria de compartilhar algo que aprendi depois de bater muitas vezes a cabeça contra as paredes do mundo; sempre vai doer!
Sim, escritores são "ladrões", mas roubam apenas pensamentos, e fazem isso sem tocar!
O roubo nesse sentido é apenas fantasioso. Quando um escritor se "inspira" em algo, ele busca sentir o que está sendo ou foi sentido. Ele pega para si, pensamentos e sentimentos que não lhe pertencem... e é daí que surgem as mais magníficas obras...
A vida é uma grande inspiração, mas a mágica surge quando os personagens dessa peça vida decidem improvisar... o escritor por sua vez, imagina o significado oculto desse improviso!
Eis a palavra fundamental; imaginação!
Mas a imaginação merece credibilidade sempre? Claro que não!
Por mais que eu pense compreender seus motivos, só posso “imaginar”, sei que as linhas que trançam essa colcha de retalhos, estão costuradas de um jeito que apenas a agulha pode compreender!
Então, diante da tua pergunta pessoal, faço uma outra; tu serás capaz de deixar de imaginar?
Sei a resposta! E com isso, finalizo dizendo que acertando ou errando... sempre vai doer!

Mas dói ainda mais deixar de lado as chances de errar ou de acertar!

Unknown em 15 de setembro de 2012 às 02:34

Como sempre magistral, como consegues ver além do óbvio sem tocar, me parece, como voce disse acima, mágico, como se fosse o dom de interpretar pelas linhas o que vai no intímo.

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