O homem de outro tempo!

Caminho pelas ruas de ontem
Nos meus pés sinto as pedras
Vivo num tempo de onde não sou
Ando descalço nos meus pensamentos

Sou escravo, escravo de um tempo que não pertenço.
Quisera eu viver no meu tempo.
Tempo que não vivi.

Poder ter uma musa inspiradora 
num amor platônico
Que me enveredasse a mente por caminhos que não tive
Ela com seu olhar furta cor 
me daria sorrisos que não não tive 
Me daria beijos que não senti
me diria frases que não ouvi

Quem dera pudesse te-la 
com sua pele alva e fina como o luar
Te-la, mas a distância para não perde-la
E ao perde-la, sofrer por algo que não tive

Quem dera, seu olhar somente passasse sobre mim com indiferença
Que sua indiferença me fizesse imaginar que me querias
E nos meus sonhos mais loucos de poeta
poder toma-la nos braços 
e assim poder ver o luar e o amanhecer.

Mas sou alguém fora do meu tempo
não posso usar a linguagem dos poetas ou dos amantes
Sou alguém que caminha na rua de asfalto 
Não tenho rua de pedras
Não tem lampiões nos postes
não tem luar de sertão 
nem musa inspiradora 

Sou apenas alguém fora do meu tempo

1 comentário

Junior Junior em 28 de outubro de 2012 às 22:25

Ah sim... o tempo...
Quantas e quantas vezes não provei da nostalgia de um tempo que não foi meu?! Quantas foram as vezes em que eu senti saudades do que não vivi?!
Ás vezes me surpreendo de sentir saudades também do futuro...
Bem vindo ao clube meu caro... belíssimo poema!

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