Nos meus pés sinto as pedras
Vivo num tempo de onde não sou
Ando descalço nos meus pensamentos
Sou escravo, escravo de um tempo que não pertenço.
Quisera eu viver no meu tempo.
Tempo que não vivi.
Poder ter uma musa inspiradora
num amor platônico
Que me enveredasse a mente por caminhos que não tive
Ela com seu olhar furta cor
me daria sorrisos que não não tive
Me daria beijos que não senti
me diria frases que não ouvi
Quem dera pudesse te-la
com sua pele alva e fina como o luar
Te-la, mas a distância para não perde-la
E ao perde-la, sofrer por algo que não tive
Quem dera, seu olhar somente passasse sobre mim com indiferença
Que sua indiferença me fizesse imaginar que me querias
E nos meus sonhos mais loucos de poeta
poder toma-la nos braços
e assim poder ver o luar e o amanhecer.
Mas sou alguém fora do meu tempo
não posso usar a linguagem dos poetas ou dos amantes
Sou alguém que caminha na rua de asfalto
Não tenho rua de pedras
Não tem lampiões nos postes
não tem luar de sertão
nem musa inspiradora
Sou apenas alguém fora do meu tempo








1 comentário
Ah sim... o tempo...
Quantas e quantas vezes não provei da nostalgia de um tempo que não foi meu?! Quantas foram as vezes em que eu senti saudades do que não vivi?!
Ás vezes me surpreendo de sentir saudades também do futuro...
Bem vindo ao clube meu caro... belíssimo poema!