Não entendo bem o que aconteceu, só me lembro que não tive forças para me levantar. Percebo que estou nu, e não estou na minha cama.
Apesar da idade, não sinto nem as dores nem as limitações que essa me impõe. Não estou sequer coberto, olho a minha frente uma colina gramada.
Como fui parar ao relento, sem nem mesmo estar protegido, quem foi o maluco que fez isso com um homem idoso. Onde está minha amada esposa e meus filhos.
Só então percebo que não estou num lugar comum, é extremamente cuidado, ha árvores e animais andando por todo lado, só então percebo pessoas a minha volta.
Alguém me estende o que parece ser uma túnica longa, visto-a ali, a vista de todos, as pessoas ali não parecem estranhar-me, e as pessoas ali não me parecem estranhas.
Percebo que a luz me ofusca a visão, alguém gentilmente põe sobre mim uma proteção uma espécie de guarda sol gigante, apesar de não haver um sol muito forte.
Alguns choram, será que morreu alguém, será que minha senilidade não me deixou perceber isso, não choram convulsivamente, mas entre sorrisos, não entendo muito bem o que houve.
Quando começo caminhar sinto falta da velha muleta, então percebo que não preciso mais dela. Meus olhos começam a enxergar tudo muito mais claro e então percebo que já não preciso do óculos. Percebo que até minha voz está diferente parece uma voz que ouvi há muito tempo. Não sei se por causa da audição que estava perdendo ou minha voz que estava diferente.
Caminhamos um pouco mais e foi posto a minha frente muitas frutas, e alguns legumes cozidos e crus.
Foi-me alertado que não comesse muito, pois meu estomago estivera vazio por muito tempo. Mas não sentia muita fome, mais ansiedade de entender o que estava acontecendo, isso sim me dava um nó no estomago.
Então alguém que parecia ser o condutor de toda aquela cena, me estende a mão. Seu cumprimento é gentil, não o conheço mas ele parece conhecer-me. Pois, dirige-se a mim, por meu nome.
Ele então me dá a noticia que certamente ninguém gostaria de ouvir. "Voce morreu há alguns anos, de infarto, seu velho coração já estava fraco, não houve muito que se pudesse fazer. Mas o importante é que voce está aqui agora, esse é o novo mundo que voce tanto esperou, seus filhos e sua esposa aguardavam por esse momento."
Não consigo entender muito bem o que ele diz mas por hora é melhor deixar assim.
Então chegou alguém que parecia ser um orientador, não usava quer tunicas ou roupas que ostentasse o que fazia, eram roupas comuns. Então ele repetiu: Este é o futuro, voce morreu há alguns anos, e agora chegou a hora de ser trazido de volta, vou leva-lo a sua família para que eles possam ajuda-lo a se acomodar.
--- Como assim me acomodar, e minha casa?
Não havia mais a dores e sofrimentos do passado, não havia mais a destruição da natureza, não havia mais pessoas ruins, então me correu uma lágrima no rosto, mas não era lagrima de tristeza era uma lágrima de alegria. Percebi um grupo grande de pessoas vindo em minha direção choravam de alegria. Havia ocorrido o que chamávamos de ressurreição, e agora teria a vida toda pela frente para prender, aprender e aprender. Só então entendi que estava no novo mundo agora era um homem do futuro.Pois o homem do passado não existia mais, agora eu era um homem do futuro.








2 comentários
Gosto de pensar que é justamente aqui no agora, somando o que trazemos do passado, que tornamo-nos ou não aptos para o "futuro".
É deveras muito reconfortante a ideia de que o fim do agora não significa o fim de tudo!
Quando penso em minhas duvidas, em minhas considerações e no modo como tenho vivido minha vida, penso também que "naturalmente" não faria nada diferente!
Estaria eu errado em manter-me nos caminhos que eu considero verdadeiramente preparado para seguir? Estaria eu cego diante de uma verdade que só é verdade se eu fizer das minhas verdades uma ilusão? Quem sabe no futuro eu venha encontrar estas respostas! Ou ainda, quem sabe se este homem do futuro não possa um dia me mostrar onde meu passado poderia ter sido diferente!
Realmente meu caro, muitos terão a chance de descobrir isso, quisera eu saber se eu estarei lá para fazer essas descobertas.